Saiba um pouco mais sobre os principais tipos de regimes de bens

Saiba um pouco mais sobre os principais tipos de regimes de bens

Uma das decisões mais importantes para evitar dores de cabeça no futuro é a escolha do regime de bens do casal. Mas hoje em dia, os casais preferem passar mais tempo discutindo quais serão os padrinhos do casamento do que qual será o regime de bens que vão escolher.

Quando duas pessoas resolvem se casar ou formar uma união estável, surgem algumas questões práticas que precisam ser resolvidas para que não atrapalhem a relação e para que não prejudiquem o direito de terceiros.

Se você pretende se casar ou viver em união estável um dia, é essencial começar a entender quais são os regimes de bens e pra que servem. Dessa forma, você consegue escolher um que encaixe melhor na sua realidade e não fica refém da lei.

Esse artigo vem justamente para esclarecer o que é regime de bens, quais são os tipos existentes, como cada um deles funciona e muitas outras informações importantes para que você entenda bem esse tema.

O que são os regimes de bens?

O regime de bens é a forma como vai ser dividido (ou não) o patrimônio daqueles que vão realizar uma união por meio do casamento ou pela formação de união estável.

O regime coloca limites e regula a relação jurídica de propriedade sobre os bens adquiridos antes e durante a o casamento ou a união estável.

O regime de bens é escolhido de comum acordo antes do casamento ou do registro da união estável. Essa escolha é formalizada por meio de um pacto antenupcial, onde o casal vai manifestar a sua vontade e acordar os termos de relação da propriedade sobre o patrimônio individual deles e sobre o que vai ser adquirido em conjunto.

Esse pacto antenupcial é feito no Cartório de Notas, por meio de uma escritura pública.

Quais são os principais regimes de bens?

O regime de bens é relevante para a celebração de negócios jurídicos que envolvam o patrimônio e também para outros aspectos da vida civil, como a sucessão. Vejamos quais são os tipos que foram positivados pelo legislador e como cada um deles funciona.

Comunhão parcial de bens

O regime de comunhão parcial de bens é o mais usado no Brasil e por isso, existem muitas dúvidas sobre ele. No regime de comunhão parcial de bens, existem dois grupos de bens:

  • os comuns, adquiridos durante o casamento; e
  • os particulares, que cada cônjuge já tinha antes de se casar e que continua sendo de propriedade exclusiva deles.

Um engano comum é acreditar que todos os bens adquiridos durante a vigência do casamento pertencerão a ambos, mas não é bem assim. Existem diversas exceções listadas no Código Civil.

Como exemplo, se houver a troca de um bem que veio a título gratuito (por doação ou herança) ou foi adquirido antes do casamento por outro de igual valor, o caráter de bem particular se mantém e o bem não vai ser dividido.

Vemos todos os bens que a lei define que não serão divididos no artigo abaixo:

Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:
I – os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;
II – os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares;
III – as obrigações anteriores ao casamento;
IV – as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal;
V – os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão;
VI – os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge;
VII – as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.

Código Civil

Comunhão universal de bens

A modalidade de comunhão universal de bens cria um único conjunto de bens, que vai unir todo o patrimônio do casal, ainda que os bens tenham sido adquiridos antes do casamento.

Justamente por ser muito abrangente, ele deve ser convencionado no pacto antenupcial.

Existe o entendimento nos tribunais de que os bens que tenham natureza pessoal e que sejam de uso exclusivo de um dos cônjuges podem ser desconsiderados desse conjunto de bens que é formado na comunhão universal de bens.

Mas, em regra, tudo aquilo que foi adquirido pelo casal, independentemente da fonte dos recursos ou da forma de aquisição, deverá ter a propriedade compartilhada.

Separação de bens

A separação de bens tem uma natureza bem diferente dos dois regimes anteriores.

Nesse tipo de regime o patrimônio das partes não vai se comunicar e também não vai existir a formação de um conjunto de propriedade dos dois.

Cada um dos cônjuges vai manter a propriedade individual sobre aquilo que o pertence. Basicamente, a lógica da separação de bens é: “O que é seu, é seu. O que é meu, é meu”.

O regime de separação de bens será obrigatório em três casos previstos na lei:

  • no qual um dos noivos for maior de setenta anos;
  • quando depender de autorização judicial para realizar o casamento; ou
  • quando não forem observadas as causas suspensivas previstas nos incisos I a IV do artigo 1.523 do Código Civil, como por exemplo nos casos onde o divorciado que não realizou a partilha de bens resolve se casar novamente.

Art. 1.523. Não devem casar:  
I – o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros;  
II – a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal;
III – o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal;
IV – o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas.

Código Civil

Participação final nos aquestos

O último modelo de regime estabelecido pela lei é uma forma mista que une a separação e a comunhão de bens, em momentos diferentes. A ideia é pegar o melhor da comunhão parcial e o melhor na separação total. Na vida real, é um regime pouco usado e pouco conhecido.

Nesse regime, durante o casamento os bens terão a sua propriedade individualizada e não será necessária a autorização da outra parte para transmitir a propriedade a terceiros. Mas caso o casamento/união estável chegue ao fim, todo o patrimônio individual deverá ser colacionado em um montante, que será dividido igualmente entre eles.

Ou seja, na vigência do casamento se aplicam as regras da separação de bens e quando a união chega ao fim se faz a divisão, segundo as regras da comunhão de bens.

Personalizar o regime de bens

O casamento é um contrato.

Desde que o objeto seja lícito e possível e que as partes tenham capacidade jurídica para contratarem, existe a liberdade para que os termos sejam convencionados em modelos que não estejam listados no Código Civil.

Ou seja, os noivos têm o direito de, em um pacto antenupcial, estabelecerem as condições e formas de divisão do patrimônio que melhor os servir, mesmo que não “encaixe” em um dos regimes falados acima.

Então, se nenhum dos regimes de bens parece o ideal pra você, é possível criar um próprio para o seu relacionamento. A lei permite que o casal crie regimes de bens personalizados e que atendam aos seus desejos e necessidades, sem prejudicar a validade ou do casamento, inclusive valendo em relação a terceiros.


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Este artigo foi escrito por Renata Almada de Andrade Iasbik, advogada de Direito de Família e Sucessões e sócia da Almada Andrade Advogados (OAB/MG 193.060 | OAB/SP 524.647).

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