Plano de saúde após os 60 anos: TJMG suspende aumento de 141%

Estetoscópio e calculadora sobre formulários de plano de saúde, ilustrando o reajuste da mensalidade

O reajuste do plano de saúde após os 60 anos exige análise do contrato e das regras aplicáveis. A idade não autoriza qualquer percentual de aumento. Em uma decisão provisória, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu uma alta de 141,33%, considerando indícios de abusividade e o risco de a beneficiária perder a cobertura.

Em resumo

Completar 60 anos não autoriza, por si só, qualquer aumento no plano de saúde. O reajuste por idade precisa estar previsto no contrato, respeitar as normas aplicáveis e ter percentual razoável, com fundamento técnico. Foi a falta dessa justificativa que levou o TJMG a suspender, de forma provisória, um aumento de 141%.

O que aconteceu no caso analisado pelo TJMG?

Uma beneficiária de plano individual antigo, não adaptado à Lei dos Planos de Saúde, teve a mensalidade elevada de R$ 650,13 para R$ 1.568,97 ao completar 60 anos, em junho de 2026.

O desembargador Francisco Ricardo Sales Costa, da 12ª Câmara Cível do TJMG, concedeu tutela antecipada recursal para suspender o aumento. Na análise inicial, faltavam elementos que justificassem o percentual, e a cobrança ameaçava a permanência da consumidora no plano.

A medida é provisória. A discussão sobre a validade do reajuste depende do aprofundamento da análise contratual e das provas.

Quando o reajuste por faixa etária pode ser válido?

O reajuste por faixa etária é aquele relacionado à passagem do beneficiário para outra faixa de idade prevista no contrato. Ele tem requisitos próprios e não se confunde com a atualização anual da mensalidade.

No Tema 952, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu três condições para a validade dessa cobrança nos planos individuais ou familiares:

  • Existência de previsão contratual.
  • Respeito às normas regulatórias aplicáveis.
  • Percentual razoável, com fundamento técnico, que não imponha custo excessivo ao consumidor nem discrimine a pessoa idosa.

Assim, uma cláusula no contrato não encerra a discussão. Também é necessário avaliar o percentual e sua justificativa.

A chamada base atuarial corresponde à fundamentação técnica que considera riscos e custos da cobertura. Não basta presumir que qualquer aumento se justifica porque o beneficiário envelheceu.

Por que a data do contrato faz diferença?

As regras sobre reajuste por idade variam conforme a época da contratação e a eventual adaptação do plano à legislação posterior.

Nos contratos antigos não adaptados, o ponto de partida são as condições pactuadas. Isso, porém, não afasta o controle de abusividade previsto na legislação de proteção ao consumidor.

Para os planos contratados a partir de janeiro de 2004, a estrutura regulatória contempla dez faixas etárias, sendo a última a de 59 anos ou mais. Nesse regime, completar 60, 65 ou 70 anos não representa entrada em uma nova faixa.

Por isso, antes de avaliar um aumento, é indispensável identificar a data do contrato, sua modalidade e as regras que efetivamente o regem.

O Estatuto da Pessoa Idosa impede qualquer aumento?

O artigo 15, § 3º, do Estatuto da Pessoa Idosa proíbe a discriminação nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade.

Essa proteção não significa congelamento permanente da mensalidade. É necessário distinguir um aumento discriminatório de outros reajustes juridicamente admitidos, inclusive os anuais, sujeitos às regras de cada contrato.

A aplicação do Estatuto a contratos anteriores à sua vigência também envolve discussão específica no Supremo Tribunal Federal, no Tema 381 e na Ação Declaratória de Constitucionalidade 90.

Em 1º de outubro de 2026, o STF suspendeu a discussão e encaminhou os processos ao Núcleo de Solução Consensual de Conflitos, buscando uma solução conjunta. Portanto, não se deve apresentar essa controvérsia como definitivamente encerrada.

Qual é a diferença entre reajuste anual e reajuste por idade?

O reajuste anual atualiza o preço do contrato segundo o regime aplicável à contratação. Já o reajuste por faixa etária decorre de uma mudança de idade prevista nas regras do plano.

Essa diferença importa porque o limite anual divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não funciona como teto universal para qualquer aumento.

A ANS fixa o percentual máximo anual dos planos individuais ou familiares contratados após 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/1998. Contratos antigos não adaptados exigem exame de suas condições específicas.

Ao receber uma cobrança maior, o primeiro passo é identificar qual reajuste foi aplicado e se houve combinação de aumentos.

Quais documentos ajudam a analisar a cobrança?

A avaliação fica mais precisa quando o beneficiário reúne:

  • Contrato, condições gerais e eventuais aditivos.
  • Boletos anteriores e posteriores ao aumento.
  • Comunicado da operadora com o motivo e o percentual aplicado.
  • Histórico dos reajustes e protocolos de atendimento.
  • Comprovantes de renda, quando a cobrança comprometer a capacidade de manter o plano.

Também é útil solicitar à operadora a indicação da cláusula utilizada e os esclarecimentos técnicos que fundamentam o aumento.

A documentação permite verificar se a cobrança corresponde ao contrato, se respeita a regulamentação e se apresenta sinais de abusividade. A existência de uma decisão favorável em outro processo não substitui essa análise individual.

Perguntas frequentes

Todo aumento após os 60 anos é abusivo?

Não. É preciso identificar a origem do reajuste e as regras do contrato. A proteção contra discriminação por idade não elimina automaticamente os reajustes anuais válidos.

Um contrato antigo pode ser questionado?

Sim. O fato de o plano ser antigo não torna suas cláusulas imunes ao controle de abusividade. A avaliação deve considerar as condições contratadas e o regime jurídico aplicável.

Existe um percentual único permitido para reajustes por idade?

Não há um índice único que resolva todos os casos. A validade depende da previsão contratual, das regras regulatórias e da justificativa do percentual.

A decisão beneficia automaticamente outros consumidores?

Não. Uma medida concedida em um processo individual não altera automaticamente os contratos de outras pessoas.

Compreender a origem do aumento é essencial para avaliar seus limites. A análise do contrato e dos documentos da cobrança ajuda a distinguir um reajuste permitido de uma exigência que pode ser questionada.

Fontes


Conte com a Almada Andrade Advogados

A Almada Andrade Advogados atua em todas as áreas do Direito, como família e sucessões, contratos, Direito Empresarial, trabalhista, previdenciário, imobiliário, do consumidor e à saúde, entre outras. Cada caso é conduzido por profissionais da equipe e, quando necessário, por advogados parceiros com experiência no assunto. O foco é a prevenção: orientamos antes que o problema cresça e, quando preciso, defendemos seus direitos na Justiça.

Atendemos presencialmente em Muriaé/MG e online em todo o Brasil e no exterior. Para entender as opções no seu caso, agende uma consulta pelo WhatsApp.

Telefone e WhatsApp: (32) 9 9995-2049. E-mail: [email protected].

Acompanhe novos conteúdos do blog no Instagram @almadaandrade.adv.

Sobre Nós

Prestamos serviço jurídico com padrão de alta qualidade. Atendimento especializado à pessoa física, jurídica e condomínios. 

Contato

Avenida Constantino Pinto 135, Loja 01
Muriaé, MG
CEP 36880-003